sábado, 27 de junho de 2009

Estudos de Sociologia (Seminário p/ Prof° Dácio Lobo)

Introdução -> Gláucia

A Análise Sociológica da Educação Contemporânea

Alberto Tosi Rodrigues


O texto tem como objetivo desmistificar a utilidade da sociologia no momento de tomar como objeto de investigação a educação. E para explicar como se dá esta utilidade da sociologia, o autor faz duas perguntas, para problematizar o que tem por objetivo: O que singulariza uma análise tipicamente sociológica? Em que medida uma análise de um problema educacional qualquer pode ser considerada sociológica? O autor afirma que a resposta é importante, para que nós possamos entender como se faz uma sociologia da educação.
Como sabemos a sociologia, como qualquer outra ciência, possui seus métodos e técnicas específicos para pesquisa, assim como a educação possui suas peculiaridades;porém o que interessa ao autor, é a “conexão”, a “ponte” que a sociologia é capaz de fazer entre o objeto especifico (educação/escola) e a sociedade em geral. Como se dá essa construção , quais são os procedimentos das conexões entre problemas sociais específicos (problemas educacionais) e o funcionamento geral da sociedade? Peguemos um exemplo, de uma reforma politica que tenha ocorrido numa escola. Ora, para que tenha acontecido, se houve necessidade de uma reforma politica dentro da escola, é porque algo está acontecendo, naquele dado momento, na sociedade, portanto fora da escola; e o objetivo da mesma é sanar, ou pelo menos tentar resolver aquilo que esta acontecendo de na sociedade, naquele momento. As duas esferas (escola e sociedade) andam entrelaçadas. As coisas quando ocorrem numa instituição social, ocorrem porque há uma demanda da sociedade.
Sendo assim, no que as estruturas, os sujeitos, o sistema capitalista, a sociedade em geral, a economia, a politica e de fato a educação interferem nesta investigação, nesta conexão entre o geral e o específico? Enfim, como acontece o link entre a sociedade, tendo em vista que esta é composta por instituições, que por sua vez dependem da relação que há entre os indivíduos, e o objeto especifico, no caso, a escola, sendo esta uma das instituições da sociedade, e que ajuda a reproduzir indivíduos para a mesma? Estas serão as questões que o grupo responderá no decorrer do trabalho...


By Gláucia L. D. Bispo


Estruturas, sujeitos e processos (Taila)


A questão central da sociologia é a de identificar qual é o peso que tem sobre as relações sociais da vida cotidianas estruturas sociais já estabelecidas, ou seja, já institucionalizadas. Procura saber até onde (ou medida) um determinado fenômeno social é resultante do modo atual pelo qual as instituições sociais já estabelecidas estão organizadas, ou é resultante das ações inovadoras de sujeitos sociais interessados em modificar o funcionamento dessa instituição.
Mas precisa levar em consideração a autoridade e legitimidade, ao mesmo tempo também o modo como as disputas por sua mudança ou por sua continuidade se dão entre diferentes sujeitos (grupos, classes, etc.) que atuam na visa social. Os processos sociais gerais são os resultados da interação entre os sujeitos e as estruturas.
O sociólogo precisa ter sempre um olhar voltado para as estruturas, ou seja, aquilo que está estabelecido e outro olhar voltado também para os processos que são aquilo que esta em mudança. A permanência e as mudanças são resultados da tensão em que sempre existe entre o peso das instituições e a capacidade de ação dos sujeitos. Pois as praticas dos sujeitos estarão orientadas para manter ou mudar os conteúdos das estruturas.
Por exemplo: basta pensar no modo como as sociedades se organizam em termos de classes sociais, se pensarmos em classes de modo pelo qual indivíduos se relacionam vigente de produção de mercadoria (versão de Marx) ou como no modo pelo qual estão distribuídas as possibilidades de acesso ao consumidor de bens ( versão de weber). Então podemos perceber que as sociedades possuem uma estrutura de classes, assim as classes em desvantagens econômicas ( seja na esfera da produção ou na do consumo) façam ações visando a mudança dessa estrutura e já as classes em vantagem ajam objetivando sua manutenção. Podemos usar também como exemplo, as estruturas políticas, jurídicas, ideológica, etc. As leis, o modo de pensar e as crenças também são estruturas som um determinado perfil.
A esfera social compreendida pela política e tem uma grande importância, pois e nela que são tomadas as decisões obrigatórias, isto é, aquelas decisões que devem ser obedecidas por todos os membros da sociedade, independente de sua vontade e se não forem obedecidas podem possibilitar as punições ( sanções negativas) aos desobedientes.
O Estado Nacional, a União Européia e a ALCA são contemporaneamente estruturas supra- estatais, é um meio privilegiado para observar as estruturas e os processos pelos quais essas estruturas a transformam.
A sociologia nasceu junto com o capitalismo, tendo como interesse produtivo compreender a sociedade industrial moderna. De lá para cá, o capital e o Estado vêm se articulando, expandindo e modificando diferentemente em todas as partes do mundo. Assim a análise sociológica evolui se espelhando nessas mudanças.

By Taila Pereira



Capitalismo, Estado e Sociologia (Ana Cristina e Samara)



Não temos como pensar na educação hoje, do ponto de vista sociológico, sem nos remeter a fase do capitalismo nos dias atuais.
No texto, o autor começa falando do capitalismo concorrencial, fazendo uma referência ao economista Adam Smith, onde o mesmo alega que o comercio, logo a troca de mercadorias, é capaz de sobreviver sozinho, sem ajuda do Estado, regido por uma “mão invisível” como o próprio economista fala. Um espécie de grande reunião impessoal em que todos os anônimos participantes contribuem com o bem comum e cada um fica com a parte da riqueza social que fato deveria-lhe caber. É a época do liberalismo econômico, do livre mercado,do famoso laissez-faire.
Ao longo do seculo XIX, o capitalismo passou por uma serie de crises, culminando na crise de 1929, que ocorreu pela queda da Bolsa de Valores de Nova York e pela superprodução de mercadorias. O mercado auto-ajustável, que equilibraria oferta e demanda, não funcionou, e como consequência deflagrou-se uma crise responsável pelo desemprego de milhões de pessoas e pela miséria que se espalhou dos EUA para todo o mundo.
Mas já antes disso, desde o inicio do século XX, originou-se uma nova fase do capitalismo, o capitalismo monopolista. O suposto equilíbrio entre as empresas capitalistas, Estado e mercado, rompeu -se pela hipertrofia das empresas, que impuseram seus interesses ao mercado diante da falta de iniciativa econômica do Estado.
Após a queda de 1929, por inspirações do economista inglês Keynes, e por obra das politicas postas em prática pelo governo de Roosevelt, nos EUA durante o New Deal (uma reação a crise de 1930), o Estado passou a intervir na economia e a controlar as irracionalidades do mercado.
Após a Segunda Guerra Mundial, foma-se um novo ciclo do capitalismo, que foi pela reconstrução da Europa e do Japão, através do Plano Marshal (baseou-se na produção e no consumo de massa, nas novas técnicas de organização do trabalho e da produção nas fábricas) e “Keynesianismo” (regulação estatal da economia capitalista). Com a expansão econômica nas décadas de 50 e 60, foi o período próspero do capitalismo em escala mundial, e devido a força adquirida pelo movimento operário e pelos novos movimentos sociais surgi então, os direitos sociais. Foi o momento do chamado capitalismo organizado, em que o Estado assumiu o papel central no controle e redistribuição dos lucros das empresas e na regulamentação do Estado. Por conta disso, configurou-se um “Estado de bem-estar social” (oferecer educação, saúde, segurança gratuitamente), o Welfare State. E foi neste momento também, que estruturou-se um bloco dos países socialistas, com a União Soviética e a China como principais representantes.
Em 1970, ocorre uma outra crise do capitalismo, desta vez com relação ao petróleo, que elevaram imensamente os preços do barril no mercado internacional e desequilibraram os preços de vários setores econômicos, gerando ondas inflacionarias nos países desenvolvidos. Com isso, o Estado teve dificuldades financeiras de arcar com os compromissos sociais que o mesmo se propusera a cumprir. Sendo assim, como fornecer educação, saúde e outras politicas de bem-estar social, sem os recursos financeiros que tinha quando assumiu tal compromisso?
Diante de tal situação, com base em idéias liberais e no que defendia o economista austríaco Ludwing Von Hayek desde os anos 1940. Essas ideias pregavam que o único modo de sair da crise, seria cortar os beneficios sociais que estavam extorquindo o Estado, e também seria necessário um “ajuste” na economia, e para que este ajuste ocorresse, o Estado não deveria assumir tantas funções econômicas e sendo recomendável um processo de privatização das empresas sob controle estatal. Esse conjunto de idéias foram colocados pela primeira vez em prática, no Chile em 1970, sob a ditadura de Pinochet, e depois fora se espalhando no Primeiro Mundo. Era uma nova fase do capitalismo , o chamado neoliberalismo, onde a sua proposta é dar ao mercado a primazia sobre o Estado.
É evidente que as pessoas que lutaram pelo Estado de bem-estar não sumiram de uma hora para outra e nem aceitariam a fragmentação, o desmonte do Estado, que os conservadores pretendem fazer. Os sujeitos sociais cujos interesses se vinculam ao Estado de bem-estar pretendem preservar suas estruturas básicas, enquanto que aqueles sujeitos interessados na “liberdade”de mercado e na desregulamentação pretendem transformar essas estruturas.


By Gláucia L. D. Bispo


Sociedade, economia, política e educação (Samara)

Dentro do que foi falado, concluímos que não há como compreender os debates e conflitos sociais que envolvem a educação contemporânea sem levar em conta a economia e o Estado capitalista, assim como não há como entender a escola e o ensino atuais sem entender o confronto hoje colocados entre os interesses privados e a regulamentação do Estado.
Sendo assim, a contribuição que a sociologia pode dar ao estudo dos fenômenos educacionais é, confrontá-los com os mundos econômico, politico e cultural em meio dos quais ocorrem. A sociologia ensina que as coisas acontecem por acontecer. Tudo aquilo que aprendemos, as idéias, os valores e que depois serão passadas para os nossos filhos, alunos, são construídos no cotidiano de relações e interações. São invenções do Homem, são meramente construções sociais. E são sempre resultado dos conflitos e dos consensos que são estabelecidos na sociedade, consequência de relação de poder e da violência, seja ela física ou simbólica que alguns grupos ou classes são capazes de exercer sobre outros.
O conteúdo que é dado, que é ensinado nas relações educacionais, são fruto da luta cotidiano por interesses econômicos e por poder. O próprio método pedagógico com o qual se ensinam os conteúdos de uma determinada cultura, há numa análise sociológica, um viés ideológico. Os grupos/classes dominantes procuram sempre fazer com que as idéias, os valores, costumes sejam transmitidos para todos, de acordo com o que convém a eles, ou senão, seus próprios valores e idéias. As próprias práticas educacionais estão sujeitas ao conflito ideológico vigente numa dada sociedade.
Portanto, parte-se de uma analise estrutural, relacionando a educação ao processo de reestruturação do capitalismo, empreendido pela ideologia e pelas praticas neoliberais. Nesse processo podemos observar as relações de conflitos que existem entre os diferentes sujeitos sociais e suas implicações em termos de classe, raça e gênero que tais mudanças têm. E no meio deste conflito há a tentativa neoliberal de encaminhar a educação para o mercado privado, que se confronta com outras forças e iniciativas sociais alternativas. A sociologia tem uma outra atribuição importante, pois ela consegue perceber e entender as opiniões e posições politicas dos sujeitos como construídas a partir das identidades coletivas e organizadas no seio da sociedade civil. A sociologia consegue pensar sobre os limites entre os espaços público e privado, e identifica o contraponto entre a educação progressista e conservadora, enfim, faz sociologia da educação, entendendo e encontrando quais os caminhos, as razões das coisas que acontecem tanto no objeto especifico (educação/escola) quando no funcionamento da sociedade em geral.


By Gláucia L. D. Bispo

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